Há um tempo, já faz uns vinte e poucos anos, venho perguntando o porquê das coisas e do mundo. Primeiro perguntava pra minha mãe, depois pro meu pai, depois pra professora da escola, depois pra Deus, depois fui perguntar pra Freud, Rogers, Skinner... e agora já to em outra: to perguntando pra filosofia.
Ué (aprendi a colocar esse ué nos textos com um grande amigo), qual é o problema em perguntar? Foi perguntando que o mundo até agora chegou a certas respostas! Às vezes as coisas parecem simples demais para serem do jeito que são; por isso que pergunto. Mas agora as perguntas vão mais além do porquê do céu ser azul, por que tenho um furo no meio da barriga chamado umbigo, por que os ingleses dirigem ao contrário, ou então por que é que nós é que dirigimos ao contrário. Agora as perguntas são mais parecidas com aquelas que já foram perguntadas muito antes de me tornar um espermatozóide.
Leio agora um livro sobre a história da Filosofia, bem bom, por sinal, pra quem não é muito acostumado a ler. Eu, então, adorei. Estava lá pela cento e trinta quando dei de cara com Aristóteles. Inteligente o menino! Tudo certo até que me deparei com o que ele dizia de causa da finalidade: Todas as coisas tem um propósito, uma tarefa, uma causa final, um “para”. Por exemplo, a chuva, além de ser vapor condensado pelo esfriamento do ar, é (serve) para fazer as plantas crescerem.
“Aristóteles acreditava que por trás de tudo na natureza havia um propósito, uma finalidade. Chove para que as plantas cresçam e as laranjas e as uvas possam crescer e servir de alimento aos homens.”
Mas então, será que tudo aqui na terra tem um propósito para o homem? O ar, o céu, o mar, a comida, a bebida, a natureza, os animais, as cores, os sons, os continentes...
Tá, mas então qual é o propósito do homem? Hum...
Já dizia Rick Warren (autor cristão de “Uma vida com propósitos”), que o fim básico do ser humano é agradar a Deus, servir a Deus, se tornar como Cristo, trabalhar em prol de e fazer parte da família de Deus.
Mas então qual é o propósito de Deus? Xi, e agora? Se for assim, será que é um círculo vicioso? O homem serve para agradar a Deus enquanto Deus serve para agradar o homem? Já pensou nisso? Percebeu que na religião ocidental, Deus acaba servindo “para” o homem? Para salvá-lo do pecado e da morte, pois por ele mesmo, nunca conseguiria salvar-se; para ampará-lo; para cuidá-lo; para dar-lhe vida; dar-lhe alegria; etc. Se formos pensar dessa forma, Deus é um humanista. E ele é mesmo! Se não, não teria nos criado!
Sêneca um dia escreveu: “Para a humanidade, a humanidade é sagrada”. E não é mesmo? Mas é claro que é! Se não estaríamos guerreando contra nós mesmos! Até que tem gente que gosta de se maltratar, mas isso é tão mais chato do que se agradar!
E se não há Deus, será que a teoria círculo vicioso também se aplica? A natureza serve para agradar o homem (e por agradar digo sustentar o homem) e o homem para conservar a natureza? Darwin pensou uma coisa meio parecida com essa. Fez toda a teoria da evolução das espécies mostrando um perfeito equilíbrio natural do mundo.
Pra não me empolgar e prolongar a parada, parece que, realmente, o homem acaba sendo, no fim, o centro das atenções. Talvez por ter sido ele mesmo quem teve a capacidade de pensar e, com razão ou não, colocar-se como o centro das atenções; talvez por ser ele mesmo o centro das atenções no mundo; não sei.
O mais legal de tudo isso é que sendo o homem o centro ou não, ele acaba sendo especial. Ele pensa, raciocina, pergunta, descobre, ele é curioso, e com essa natureza sua, ele pode usar de sua capacidade para melhorar as coisas para si, mas ainda mais importante, para os outros (que no final acaba sendo para si também).
Concordo que é necessário que o homem seja feliz consigo mesmo. Parece sentença óbvia, mas não é, pois é com essa felicidade que ele estará mais propenso a dar frutos para a humanidade. Voltamos para o círculo vicioso, mas agora é só o homem: do homem para a humanidade e vice versa. O pior é que aí a ambigüidade aparece, pois de certa maneira, o homem acaba pensando em ser feliz sem importar com os outros, sem pensar nos outros, sem ajudar os outros. E aí acaba tornando-se triste. O equilíbrio se perde no ar da paixão do individualismo.
Chegamos a um ponto crucial então: o homem só é o centro das atenções quando põe o outro no centro das atenções. Pra muitos isso é alteridade, pra outros, burrice, mas pra todos: é vida.
Fugi do assunto, fazer o quê? Não sou o centro das atenções?
Acabou! Vou ler mais.


Se fosse reescrever este texto, faria tantas modificações!
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